quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Vinho biodinâmico é uma farsa?

Vinho biodinâmico é uma farsa. Alguém tem que falar”. Nesta semana do vinho biodinâmico (veja o evento/feira em São Paulo) não é a frase mais indicada a se dizer, mas este é o titulo do blog de Stu Smith, totalmente dedicado a desmistificar a essência da biodinâmica aplicada à enologia.
É uma leitura até interessante e fiquei bastante entretido, mas perdeu o objetivo de convencer-me.

Primeiramente vamos relembrar o que biodinâmico quer dizer.
A agricultura biodinâmica foi fundada pelo filosofo austríaco Rudolf Steiner. Para resumir brevemente o conceito, digamos que é a agricultura orgânica elevada a máxima potência. Nada de química, adubos e fertilizantes naturais, os elementos ambientais agrícolas são todos integrados em um processo de respeito e cuidado da terra. Em adição a isto, a agricultura biodinâmica se baseia também em forças da natureza, em sentido de trocas de energias vitais, que envolvem o movimento da terra, as fases lunares que determinam os melhores momentos e técnicas de cultivo (por exemplo, a irrigação tem que seguir movimentos circulares, com tempos definidos), etc...

Voltando ao Stu Smith, ele tenta desmontar a teoria atacando a autoridade que sustenta o castelo, alegando, por exemplo, que o Steiner não entende nada de agricultura e tampouco nunca pegou uma enxada em mãos. E continua descrevendo (e ridiculizando) os bio-adeptos como um grupo de malucos, comparando-os com aqueles que acreditam aos horóscopos e que afinal não são muito diferentes daqueles que queimavam bruxas na Idade das Trevas.

Isso naturalmente, além de suportar o raciocínio, faz o jogo dos produtores industriais.

Pessoalmente, eu não sei dizer quanto isso é verdade e o meu lado racional é bem cético sobre a influência dos corpos celestes na agricultura.

Mas (sempre tem um “mas”, né?) eu acredito que a ciência aplicada à produção e, especialmente, a industrialização da produção, trouxe inegáveis benefícios, enormes injustiças e uma dúzia de desastres ambientais de tamanhos catastróficos.

No fim das contas acho que, neste caso, tentar dar um passo atrás, desacelerando um pouco o progresso, faça sentido. Nem sempre é preciso ter provas científicas e às vezes é justo fazer escolhas seguindo o próprio instinto.

E vocês, o que acham?

4 comentários:

  1. Acredito que os defensores da cultura biodinâmica - e tem gente graúda aí, como o Domaine de la Romaneé Conti - dispensa um cuidado maior com a vinha quando comparado com uma produção em escala industrial. Daí o vinho ganhe em qualidade, como ocorre com todos os produtores preocupados com qualidade.

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  2. Mário,
    Primeiramente parabéns pelo blog, que sigo há um bom tempo, mas somente agora estou deixando um comentário pela 1° vez, porque a matéria tratada é bastante interessante. Olha, eu aprecio o cuidado com o solo e tudo, mas discordo um pouco do Aristóteles...eu não consigo gostar de vinho biodinâmico, já experimentei alguns e achei ruinzinhos...
    Abraço
    Emerson

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  3. Comex,

    Acredito que o fato de ser biodinâmico não significa que o vinho é bom. Aliás, como não existem comprovação de aplicação dessas técnicas, já vi muito produtor de escala industrial dizendo-se biodinâmico e produzindo vinhos muito ruins.

    O que eu quis dizer foi que, como não creio em astrologia e nem em energias vitais, acho que os resultados da cultura biodinâmica devem ser creditados a um maior cuidado com a produção, o que seria alcançado mesmo sem esse rótulo.

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  4. Aristoteles,
    Você disse tudo: biodinâmico não è sinônimo de qualidade.
    Comex, realmente tem uns exemplares ruins, assim como também tem vinho industrializado ruim.
    Obrigado aos dois pela leitura e pelos comentários.

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