quarta-feira, 13 de julho de 2011

Como se faz uma rolha de cortiça?

falamos, brincamos e polemizamos bastante a respeito da rolha de cortiça: em breve será um luxo reservado para poucas e caras garrafas. A oferta de cortiça não satisfaz a demanda da indústria vinícola e os preços sobem. As melhores rolhas, de 4/5 cm de comprimento e sem defeitos custam na Europa já mais que umas garrafas de vinho barato, mas garantem duração medível em décadas. Para todas as outras o destino está decidido: depois de 10 anos a rolha estraga, com tendência a se esfarelar com o uso do saca-rolha, ou então tem poros demais e conseqüentemente pouca resistência ao oxigênio.
Portugal produz 60% da produção mundial, seguido de Espanha e Itália. Pequenas parcelas procedem de Marrocos, Argélia e Tunísia.

O problema, vocês já o conhecem: uma vez plantada a planta, é preciso esperar cerca de 25 anos para uma cortiça de boa qualidade. De fato, os sobreiros começam a produzir depois de 15/20 anos, mas a primeira cortiça (chamada de cortiça macho) que vem retirada é de péssima qualidade: ela volta a crescer depois de 9/12 anos, chegando a 5 cm de espessura, sem as irregularidades e defeitos do primeiro ciclo. Nesta altura a cortiça fêmea está pronta para ser cortada, operação que é efetuada manualmente, para evitar danos para a arvore.

Depois da devida introdução, vamos ao nosso know-how: como são feitas as rolhas de cortiça?


O ano de vida da planta é marcado no tronco, de modo que cada árvore não seja cortada na hora errada.


A fase do corte é a mais delicada. É retirado somente o felogênio, deixando intactos os extratos sucessivos para não prejudicar o recrescimento. A operação é feita rigorosamente à mão e golpes de machado.


 Assim aparecem as cascas logo depois de serem cortadas. Em geral, as empresas maiores as guardam logo em um ambiente protegido para evitar a contaminação indesejada.


As cortiças passam em um fervedor, que, simultaneamente, as desinfeta, as limpa e as torna mais elásticas.


 Depois da ebulição, as cascas, são prensadas, esticadas e submetidas a uma primeira seleção. As sobras da produção serão usadas para as rolhas técnicas: feitas de lascas de serragem coladas e prensadas.


 É a hora da perfuração, a fase crucial: há que escolher as melhores partes da cortiça para "extrair" as rolhas.


A primeira seleção é feita com um leitor óptico. Um jato de ar vai dividir as rolhas conforme qualidade e medidas.


A segunda e final seleção é feita manualmente. As rolhas feitas de um único pedaço de cortiça são divididas por tamanho (altura), porosidade e eventuais pequenas lesões. Cada fabricante pode ter até cinco variedades diferentes no catálogo de uma rolha mono-peça variando de um custo mínimo de 0,20 centavos a 1,50 centavos de dólar por garrafas.


Credit: Wineanorak

17 comentários:

  1. Mario, post excelente - completo, informativo e interessantissimo ! Obrigado !

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  2. Nivaldo,
    Eu que agradeço você pela visita e pelo seu comentário.
    Grande abraço!

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  3. Excelente post, pra variar.
    Parabens e abs

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  4. Lamento mas este artigo tem algumas informações incorrectas, nomeadamente:
    - "Para todas as outras o destino está decidido: depois de 10 anos a rolha estraga" - isto não é verdade. Um exemplo disto é a garrafa de champagne com mais de 200 anos encontrada no mar Báltico (http://estado.com.br/noticias/internacional,champanhe-de-200-anos-e-encontrada-no-mar-baltico,582580,0.htm) "Ekstrom disse que os mergulhadores ficaram radiantes quando sacaram a rolha, depois de trazer a garrafa de uma profundidade de 60 metros. "O gosto era fantástico. Era um champanhe bem doce, com sabor de tabaco e carvalho."

    - A primeira cortiça não se chama cortiça macho, mas sim cortiça virgem.

    - A segunda cortiça chama-se cortiça amadia.

    - As duas primeiras tiradas (cortiça virgem e cortiça amadia) não têm a qualidade pretendida para a produção de rolhas de cortiça, mas podem ser utilizadas para outro tipo de materiais, como é o caso dos pavimentos.

    - A árvore nunca é cortada. A 'casca' do sobreiro é retirada de forma a nunca danificar a árvore.

    Para além disso, toda a cortiça é utilizada - se não for para rolhas, pode ser para outro produto, desde pavimentos a mobiliário e até sapatos. Até o pó de cortiça é utilizado para gerar energia.
    Espero ter ajudado.

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  5. Leigo Vinho, vc é sempre gentil demais...
    Muito obrigado, um grande abraço!

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  6. Caro FG,

    Primeiramente agradeço pela sua visita e pelo seu acréscimo. A afirmação sobre a duração de 10 anos, era referente a rolhas de qualidade inferior (e obviamente, por linhas gerais). Inclusive eu mesmo já tinha falado no ano passado da descoberta do Mar Báltico (http://mondovinho.blogspot.com/2010/07/o-vinho-mais-antigo-do-mundo-uma.html).

    Sobre o “sexo” da cortiça, realmente fiquei com a dúvida, pois traduzi do termo que eu conhecia em italiano, mas não antes de ter verificado no Google: prove a digitar “cortiça macho” e verá que sites mais técnicos e cultos que o meu modesto blog, usam a mesma definição...

    Quanto ao resto que você mencionou, também já tinha falado: clique no marcador “Rolhas” para ver todas as matérias que publiquei a favor da cortiça, está tudo ali.

    Mas, obrigado mesmo, fico feliz e orgulhoso de ter leitores tão competentes, é uma honra!

    Um abraço!

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  7. Mário parabéns!!! este blog é campeão!!!

    Abs e saúde

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  8. Silvestre, muito obrigado! Vindo do maior blogueiro de vinhos do Brasil, os elogios valem em dobro!
    Grande abraço!

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  9. tá excelente, mas queria aber que ferramentas ou utensilios sao usados.
    Obrigao

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    1. Sinceramente não sei lhe responder, este é já um assunto técnico demais para o propósito deste blog.
      Obrigado pela leitura e pelo seu comentário.

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    2. Porque não tentam fazer a rolha das fibra do coco apos secas e prensadas ?

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  10. olá! amigos do mundo do vinho, eu gostaria de saber quais e os contatos de fábricas e fornecedores de cortiças aqui no brasil obrigado!

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  11. olá! amigos do mundo do vinho, eu gostaria de saber quais e os contatos de fábricas e fornecedores de cortiças aqui no brasil obrigado!

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  12. Fiquei mais entusiasmado, foi um primeiro passo excelente. ^^

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  13. Valeu as vossas informações. Só apreciava as rolhas de cortiça em garrafas sem saber a sua origem. Aprendi mais alguma coisa.
    Curiosidade: Observei que, as rolhas fabricadas são cilíndricas, mas depois de sacá-las de garrafas,têm os seus extremos internos dilatados o que dificulta a sua reposição. A que se deve?
    Agradeço a vossa informação...

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    1. Alberto, primeiramente obrigado pelo seu comentário.
      As rolhas tem uma característica elasticidade. O diâmetro das rolhas antes que entrem na garrafa é maior que o do gargalo da mesma, para poder vedar totalmente e evitar a saída de liquido; elas conseguem ser colocadas só graças a maquinas, e uma vez extraídas elas tentam retomar naturalmente o tamanho inicial (mas conseguem só parcialmente), por isso as dilatações.
      Espero ter ajudado.
      Abraço!

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